BRASIL, Sul, SAO LEOPOLDO, Mulher, Jornalista, aprendendo a viver.

 

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  Dois mil quilômetros
  Monótona
  Não é mole não
  Café pra duas
  Capaverde
  O Íncubo
  Vida Passando


 

 
 

   

   


 
 
donarosa



Presente de aniversário

Depois de tantos aniversários a gente acaba se acostumando com a data. Ou, depois de alguns (tantos?) aniversários, a gente acaba se acostumando. Alguns é suficiente para alguém se acostumar? Enfim, o fato é que a gente se acostuma e ponto.

Seja porque já se sabe quem vai nos dar o que, ou quem não vai nos dar. Seja por que é sempre no mesmo dia e época e as pessoas se comportam mais ou menos sempre da mesma forma. Mas eu não me acostumei. Não a deixar passar em branco. O meu aniversário é o meu dia, só meu. Sob medida. E para mim é sempre frio, chuvoso, com uma cara nostálgica e meio trágica. Como se o céu se desmanchasse de emoção a cada ano, me brindando com gotas de um cristal gelado e puro. Sim, eu vejo beleza nos dias cinzentos e intermináveis. Especialmente quando é aquela data que foi reservada para mim no calendário, no tempo. E eu ainda choro, fico sensível. Não espero presentes. Aguardo ansiosamente que apenas lembrem de mim.
Fui contemplada com um dia inteiro. Naquele ano, era um sábado. Nasci na madrugada fria de um julho distante. Quando tudo era tão diferente e, parecia, mais difícil. Quanta coisa dá para fazer em vinte e quatro horas? É impossível mensurar.

Por isso, quero algo diferente neste aniversário, quando novamente será um sábado. Quero renascer melhor, começar um novo ciclo.


Escrito por Dona Rosa às 23h15
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Por favor, tirem as crianças da sala

Caiu o diploma de jornalista.
E eu, que já andava meio mal, devo confessar, agora quero cortar os pulsos.
Esta de hoje confirma a tese - que deixa de ser lenda urbana e passa à pura realidade - de que sempre é possível piorar. Bem, mas se até um pontapé na bunda nos joga para a frente, o que há de errado em qualquer um sair por aí escrevendo bobagens?

Afinal, quem tá ligando se eu dediquei anos da minha vida a aprender essas besteiras que hoje sei (e confesso, as tenho empregado de forma precária, pois o retorno é ínfimo)? Quem se importa com isso? Sabe, acho que vou colocar uma placa em frente a minha casa e passar a dar consulta, operar pessoas, dar receitas. Será que tem algum problema? Creio que não. Afinal, diploma pra quê? Também acho que posso ser delegada de polícia. Tenho perfil. Ah, eu também gosto muito de me meter a arquiteta. Talvez mudar de profissão seja uma boa.

Tá assustado? Você que é advogado, médico ou arquiteto acha justo que uma pessoa não qualificada desempenhe a sua função. E o mais alarmante: ganhando o mesmo que você? Nossa profissão já anda tão em baixa. Foi-se o tempo em que jornalista questionava, duvidava, checava informação, futricava. Foi-se a época em que se escrevia com tesão, sem assassinar o vernáculo, com coerência, pensando, escolhendo palavras.

Será que retirar a exigência do diploma vai mudar essas condição? Vamos voltar ao tempo em que para ser jornalista precisava apenas gostar de escrever? E aquela experiência universitária? Aquele mundo que se descortina na vida acadêmica, todas as possibilidades, a vivência, o aprendizado e a troca que a universidade proporciona?

Vamos esperar. Enquanto isso, vou dar uma olhada na lista de profissões para ver em qual me encaixo. Depois, entro com uma ação na Justiça e peço para que se retire a obrigatoriedade do diploma e pronto, já posso começar a exercer minha nova profissão.

Vem junto comigo nessa?



Escrito por Dona Rosa às 23h00
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Existe vida após o jornalismo?

Vinte e duas e quarenta e cinco, sexta-feira, ano de 2009. Aqui estou, em algum lugar perdido deste infinito universo, mais uma vez me questionando: porque raios fui fazer jornalismo? Cara, uma pessoa de 18 anos deve ser interditada quando resolve fazer vestibular. Ainda mais para comunicação! Nenhum ser humano sobre a face da terra tem capacidade, aos 18 anos, de tomar uma decisão dessas que vai influenciar sua vida para sempre. O cara tem que sair do ensino fundamental e ir direto para um trem, um navio, um balão, jegue, avião, seja lá qual for o meio de transporte, e rodar o mundo, conhecer gente, aprender. Depois de uns cinco anos ele pode voltar e decidir que profissão quer seguir. E mais: devíamos ser incentivados pelo governo a fazer isso. Vou lançar o Bolsa Viagem. Assim, quem sabe, possa ajudar os jovens de hoje a tomar a decisão profissional certa. E que eles não se transformem em mim: sexta-feira à noite divagando em um blog e contando os minutos para uma tão sonhada folga de dois dias após duas intermináveis semanas de trabalho ininterrupto...



Escrito por Dona Rosa às 22h54
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Noite chuvosa

Quero a vida em câmera lenta, o arrepio na espinha

quero o silêncio enlouquecedor que antecede a explosão

a volúpia

o desejo

a carne estremecendo

e depois o repouso eterno até o outro dia

 

 



Escrito por Dona Rosa às 22h41
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Tempestade

Depois veio o vento,

desarranjando o silêncio

invertendo o curso

desalojando a alma

subtraindo ilusões



Escrito por Dona Rosa às 15h09
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Eu pinto as unhas de vermelho

Sou 100%. Não sei ser meio termo. Sou mais ou sou menos. Nunca em cima do muro. E não venha me dizer que em cima do muro é um posicionamento. Eu abomino os sem posicionamento. Eu prefiro o frio ao calor. Eu sou da gargalhada. O riso contido me irrita. Eu pinto as unhas de vermelho. Não me identifico com os tons claros. Sou ao extremo. Eu brigo. Eu acuso. Eu quebro a cara. Mas eu não peco por omissão. Eu arrisco. Mudo de opinião. Não sigo um curso pré-determinado. Não sei viver na linha, nas regras convencionais. Leio três livros ao mesmo tempo. Abandono projetos e parto para outras idéias. Sou 100% emoção. Organizada na desorganização. Sou espaçosa. Tenho letra grande. Preciso escrever para visualizar. Preciso ler para saber mais. Sinto-me minúscula diante a iluminação do autor. Não invejo. Não minto. Pouco omito. Amo sem limites. Não sinto culpa. Tenho medo. O medo me segura, mas não me impede. Eu luto pelos meus. Sofro com os amigos. Vivo suas histórias. Choro sozinha as minhas angústias. Luto com meus fantasmas. Exorcizo os meus demônios. Eu sou assim. Intensamente.





Escrito por Dona Rosa às 18h01
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Eu, serial killer

Estou na fase ‘quero matar alguém’. Será que tem alguma relação com aquele período do mês em que a gente monta numa vassoura e sai por aí dando rasantes e distribuindo amabilidades? Aqueles dias em que até o farfalhar das folhas nas árvores irrita profundamente? Aqueles dias em que a gente só quer se enfiar num armário, numa calça larga de moleton, num abrigo subterrâneo, numa concha e só sair de lá quando desinchar 300 quilos, sumirem todas as espinhas, o desespero e a angústia? Acho que a CLT devia prever uma semana de desaparecimento por mês para as mulheres. A gente poderia hibernar, virar ermitão (qual é o feminino de ermitão?), nos organizarmos em grupos de apoio. Poderíamos criar ONGs, fundar associações, leis que nos protejam neste momento tão difícil da vida que é a TPM.

 


OU ALGUÉM AÍ DISCORDA????



Escrito por Dona Rosa às 16h57
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Não quero anoitecer

Preciso construir algo, arrancar este vazio do meu peito, esta sensação de que estou apenas respirando. Quero sentir o cheiro da primavera expandindo as minhas narinas, sua a brisa me arrepiando a nuca, seu colorido inundando meus olhos, atravessando meu corpo, extirpando esses fantasmas que rondam meu pensamento nestes dias intermináveis e marrons. Não quero anoitecer. Quero ser cor, quero ser vida. Quero poder oferecer abrigo aos meus, um porto onde eles possam se refugiar nas tempestades dessa caminhada. Não quero vacilar, titubear. Quero viver com simplicidade um dia de cada vez, mas com intensidade de um dia de cada vez.



Escrito por Dona Rosa às 16h54
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Tempo

Sabe quando bate aquela sensação de estar deixando as horas passar, o tempo escorrer pelos dedos?

E a ampulheta da vida é implacável, não perdoa.

 



Escrito por Dona Rosa às 21h38
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Saindo do cativeiro II

Andei sem inspiração, à mercê da criatividade. Ela zomba de mim, me faz sua refém. Vem e vai. Satiriza minha condição de escrava. Desapareceu por completo. Por minha vez, também andei canalizando forças para outros lados. Resolvi recuperar velhas e genuínas amizades. Estava sentindo o tempo escorrer por entre os dedos, perdendo o viço, o sonho. Apenas respirando e deixando a vida me levar. Por fim, dei-me conta que eu sou o timoneiro deste barco. Saio do cativeiro e volto à ativa. Meu projeto de realização pessoal passa por aqui. É muito bom estar de volta.



Escrito por Dona Rosa às 21h23
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Vai chover

Que a chuva caia
Como uma luva
Um dilúvio
Um delírio
Que a chuva traga
Alívio imediato

Engenheiros do Hawaii



Escrito por Dona Rosa às 22h41
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Rascunho definitivo

Pisco os olhos e lá se foi um mês. Vou engavetando os sonhos, sufocando as emoções, deixando pra lá. Apenas respirando um dia após o outro. As cirscunstâncias rascunhando a minha história, fazendo desse o traçado definitivo, muito diferente daquilo que imaginei pra mim.

E eu sonhei tão alto, dansei tantas valsas,  interpretei tantos personagens, viajei pelo mundo, saltei de paraquedas, subi ao monte mais alto, tomei os melhores vinhos, beijei tantas bocas,  andei pelo mundo.

Mas uma coisa é certa: amei e fui amada.



Escrito por Dona Rosa às 22h37
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A verdade, parte II

Assisiti agora à tarde a um filmezinho brasileiro despretensioso: O Casamento de Louise. Sabe quado tu ali na frente da TV, de bobeira, com preguiça até mesmo de apertar o botão do controle remoto e, de repente, o filme te pega? Seja por uma cena banal, uma coisa inusitada, um detalhe que toca a alma naquele instante mais inesperado? Tô sozinha em casa, concatenando idéias, esvaziando o cérebro de um ano de porrada no trabalho (e olha que trabalhei neste domingo!). Mas o fato é que o patrão, a vassalagem e os herdeiros se mandaram e estou aqui sem saber o que fazer. A casa ficou imensa, ouço os grilos cochichando amenidades entre si, as sombras da folhagem desenhando monstros na parede e eu já pensando que essa noite dormir só de abajur ligado! Passei meses resmungando pela casa, resignando a minha sorte de não ter um segundo sequer na solidão, nem no banheiro, e agora estou aqui louca para ouvir a criançada, o telefone, a barulheira tão conhecida, os pensamentos retumbando tão alto que até tenho vergonha do guardinha que passa lá na rua apitanto. Será que ele pode me ouvir?

Mas então que o filme me pega de sangue bom, com a pá desvirada. Sim, porque se quando estamos com a pá virada estamos pirados, creio que eu estivesse com a pá desvirada. O filme é com a Dira Paes, o Marcos Palmeira e a Sílvia Buarque.  Será que o nome da Dira é Jandira? Ninguém merece se chamar Jandira. Dira é um pouco menos pior, creio. E por que será que insistem em colocá-la sempre em papéis de empregada, de babá, de pobre enfim? Claro que nesse filme ela é a empregada. Mas o filme é um misto de babaquice legalzinha com alguns momentos engraçados, outros nem tanto, mas valeu o meu investimento. Afinal, estou no processo anteriormente citado de esvaziamento cerebral. E nada melhor que ficar duas horas na frente da TV sem pensar em nada, só viajando na história lugar-comum.

Mas lá pelas tantas, a Sílvia Buarque que é a Louise no filme, embesta de casar com um maestro sueco. Ela é separada de um banqueiro e toca violino, tendo conhecido o sueco na orquestra. Mas isso não interessa. O cara vai almoçar na casa dela, enche a cara de caipirinha e se apaixona pela empregada, a Dira. O melhor de tudo no filme é a atuação do cara que faz o maestro. É muito boa!! E a Dira também! Lá pelas bandas do fim, ela acaba indo tocar panela na orquestra e o cara, claro, casa com ela e a leva para a Suécia. Na cena da orquestra ela aparece tão bonita em um vestido vermelho que me fez questionar esse lance de só darem esses papéis menores a ela. Isso sim é a coisa mais clichê que eu já vi. Tá, tudo bem, não sei se é a mais, mais é um pouco. Mas alguém aí já viu o Chico Diaz fazer um papel que não seja de bandido, marginal ou maloqueiro? E o cara é um puta ator. Mas também, a lata do sujeito não ajuda. É como a Dira, super talentosa, mas não tem a cara da Maitê Proença, a linhagem da Sílvia Buarque, tão sem-graça.

Depois de investir um hora e lá vai no filme brasileiro, me senti bem melhor. Terapia pra quem tem assim suas loucurinhas básicas, mas ainda consegue resolvê-las solo. Ainda bem que tudo, neste momento, é uma questão de querência, e não de precisão. No fim das contas, quem casou com o sueco foi a empregada e não a patroa, que ficou com o ex-da empregada, um jogador de futebol chinelão, muito bem feito pelo Palmeira.

Tô eu aqui dando uma de crítica de cinema. E vim aqui pra falar do meu momento sozinha... Mas recorri ao Google, aquele que tudo sabe, tudo vê, e olha a surpresa: o nome da Dira Paes é Ecleitira Maria Fonseca Paes.

Ai jijuis, depois disso Dira soa como música... Como eu li por aí, a verdade é sempre mais difícil.



Escrito por Dona Rosa às 22h04
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Fragmentos perdidos

Tenho saudades dos meus. Daqueles que se foram antes que eu me entendesse por gente e nem pudesse sentir sua falta. Queria conhecê-los, saber quem foram, o que faziam, como viviam, como chegaram até ali. Gosto de conhecer pessoas, observar seu jeito de falar, sorrir, viver. Alguns dos meus já partiram. Eu queria conhecer estas histórias, a história de onde deriva a minha história. Às vezes me pego pensando em como sou diferente deles. Mas como diferente se nem os conheci? Apenas sabia seus nomes. E muitos tiveram o nome adulterado pelos desvios da dificuldade, pelos caminhos da ignorância das coisas da lei, pelo curso da vida, que nem sempre é linear. Como é difícil montar uma árvore genealógica mental quando não se consegue ir além da geração anterior. Como é necessário saber de onde se vem, quem nos precedeu. Como eu poderia entender melhor os meus próximos, os que hoje vivem comigo. Preciso tê-los, preciso sabê-los. Não quero me dar conta, depois que eles se forem, que eu também não os tive, que foram estranhos para mim. Quero continuar tentando entender seus motivos, suas falhas, minhas falhas. Quero continuar escrevendo esta história com todos os personagens. Não quero que meus filhos sejam reféns, como sou, de lembranças antigas e de rostos que não dizem nada, apenas remetem a um tempo perdido...



Escrito por Dona Rosa às 21h53
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A verdade

A verdade é sempre mais difícil...



Escrito por Dona Rosa às 17h27
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